Retrato do Dom Fernando, Duque de Beja
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Em Maio de 2003,  tivemos,  minha mulher e eu,  finalmente oportunidade de visitarmos o Museu da Cidade de Beja, no Alentejo.  Fomos muito bem recebidos  por todo o pessoal inclusivamente pelo Assistente Director  António Brahama e pelo Director José Carlos Oliveira que nos autorizaram a colher fotos dos mausoléus, dos altares e do Retrato do Infante Dom Fernando, Duque de Beja. Esta pintura do Duque de Beja está num sítio muito  escuro, escondido e poucas visitantes  a podem apreciar.  Só analisando, mais tarde, a foto que obtivemos desta pintura é que verificamos  que ela contem informação que nos parece de muita  importância histórica para Portugal. Vejamos:

(1) Primeiro esta  pintura identifica a pessoa pintada: “Retrato do Senhor Infante Dom Fernando”

(2) Verificamos que ele usava barbas e estava de joelhos a orar

(3) Mas a parte mais curiosa é o desenho da cortina ou reposteiro que está por detrás  do Duque  que nos leva a perguntar: Que tipo de folhas, de flores ou de frutos  estão ali representados e qual o seu significado simbólico  na vida do Duque Dom Fernando? 

Os desenhos da cortina  parecem-nos estilizados. Serão os desenhos desta cortina  flores  duma romãzeira? Consideramos  importantíssimo  confirmamos a resposta a esta pergunta. Porquê?

PRIMEIRO

Em Portugal diz-se que as romãs são um símbolo real, porque a romã quando está madura  mostra uma espécie de coroa na parte superior… Se isto é um facto há  necessidade  de se rever todos as construções arquitectónicas portuguesas, monumentos, igrejas, catedrais, pinturas dos  membros das famílias reais  e até os brasões das 72 famílias nobres em Portugal, para confirmarmos se a romã, duma vez por todas, -- se este fruto foi usado na História de Portugal como um símbolo de  Rectidão e Honradez como nos informa a Bíblia. Veja o  artigo que escrevemos há tempos sobre esta matéria:

http://www.dightonrock.com/ahistoriadasromas.htm    

SEGUNDO

 O Engenheiro Carlos Calado, Presidente do Núcleo dos Amigos da Cuba, publicou  na website dos “Amigos da Cuba”

(amigosdacuba.no.sapo.pt/paginas/terradecolon.htm) 

um artigo intitulado “Cuba -Terra de Colon: a Prova Real”,  no qual informa a existência  dum portal na antiga Ermida de São Brás em Cuba, Alentejo, mostrando em baixo relevo, três romãs abertas dispostas em triângulo  e com ramagens.

Informa também que as pedras deste  portal com a romãs faziam  parte  do Paço Ducal de D. Luís, filho do Rei D. Manuel I e neto do Infante D. Fernando, Primeiro Duque de Beja. Por razões desconhecidas o referido Palácio Ducal  entrou em  ruína e  as suas pedras vieram a ser  usadas, umas na  construção duma   cadeia em Beja  e as mais ornamentadas foram aplicadas  na edificação da porta principal  da Igreja de São Brás daquela vila centenária  alentejana … Mas a parte mais curiosa é que o Paço Ducal de Cuba pertencia à família do Primeiro  Duque de Beja.  E o Engenheiro Calado acrescenta que foi neste Palácio Ducal que Isabel Gonçalves Zarco, grávida do Primeiro Duque  de Beja, foi  dar  à  luz, muito em segredo,  um menino  que se  veio a chamar  Salvador Gonçalves Zarco. Se assim é,  houve  uma ligação familiar e simbólica  entre o Palácio Ducal de D. Luís  e o Primeiro Duque de Beja, D. Fernando,  que poderá ser  identificada pelas as romãs do Portal da Igreja de São Brás  e as romãs da cortina do retrato do Infante D. Fernando que se encontra no Museu  da Cidade de Beja?  Parece-nos que esta pergunta é muito importante  e merece ser respondida com muita  honestidade e seriedade.

TERCEIRO

Outra curiosidade sobre o  significado simbólico  ou devisa das romãs

é - nos fornecido por  Manuel da Silva Rosa, no seu recente livro histórico  intitulado “O Mistério Colombo Revelado” publicado pela  “Ésquilo” em  Lisboa, Portugal.

No grupo de fotografias  coloridas entre as páginas 288 e 290, o Sr. Rosa mostra  a Figura 8.15 como sendo  uma pintura do navegador Don Cristoval Colon e dá-nos   a seguinte explicação:

 

Este quadro tem  grande importância simbólica porque é o único retrato oficial de Colon sancionado pelo estado. Foi pintado por Alejo Fernandez entre 1505 e 1536 e intitula-se Virgen de los Navegantes (Virgem dos Navegantes) e encontra-se na Sala dos Almirantes dentro do Real Alcazar em Sevilha. Cristoval Colon é o único Almirante de todos os Almirantes de Castela a ter um quadro nesta Sala.”

“Achamos que este quadro poderia ter algumas pistas escondidas e, após um exame mais aprofundado ao manto de Colon, ficamos entusiasmados ao ver o símbolo das «três romãs  entreabertas dispostas em forma de triangular cuidadosamente pintado no seu manto (Figura 8.15 no caderno a cores). Esta nossa descoberta é muito importante porque as três romãs entreabertas dispostas em forma de triângulo é um símbolo maçónico. Não há dúvida que quem pintou tão cuidadosamente este padrão na capa de seda dourada de Colon teve de ter um motivo para o fazer, e Alejo Fernandez devia ter informações que não eram do conhecimento público. As três romãs abertas são utilizadas no topo dos dois pilares cerimoniais do 1.° e 2.° graus maçónicos (ver Figura 8.13 atrás).”

 

Aqui está a comparação que o Engenheiro Carlos Calado faz da devisa das romãs no manto do Don Cristoval Colon  com as romãs no portal da igreja de São Brás  em Cuba.

 

   

                                           Manto do Colon                             Romãs no portal

Devemos notar que:

- O Palácio Ducal de D. Luís deve ter sido construído  ainda no reinado do Rei  D. Dinis.

- Que o Infante D. Luís era filho do Rei D. Manuel I portanto fazia parte da família   do Infante D. Fernando -  Primeiro Duque de Beja.

- É muito possível que o Paço Ducal de Cuba  viesse a  ser incluído no grupo das propriedades do Ducado de Beja.

- O Infante D. Luís chegou a ser o Quinto  Duque de Beja com residência no Palácio ducal em Cuba.

- Que entre os topónimos que o navegador C. Colon primeiro colocou nas ilhas  do Mar das Caraíbas encontramos Granada, vocábulo em espanhol para romã;  Baía Fernandes, e Salvador   do nome Salvador Fernandes Zarco

- entre tantas frutas que havia em Espanha porque escolheu o navegador  o nome Granada?

Pedido Geral:

Vimos por este meio pedir a todos os Historiadores Amadores para nos ajudar a resolver este problema das romãs como DEVISA  mitológica em Portugal.

Agradecíamos muito se nos apontassem  onde  na arte sacra das igrejas,  iluminuras de livros antigos, etc. que tenham  desenhos,  pinturas ou  baixo relevos com romãs. 

Daremos  o  devido crédito --  nesta website --  às pessoas que participarem  nesta pesquisa universal.  Desde já os nossos sinceros agradecimentos.

Lembrem-se que as maiores descobertas originais da  História e da Antropologia  têm sido feitas sempre por  Historiadores Amadores, porque  eles concentram-se exclusivamente  num objectivo final  que é

Descobrir a Verdade!

Se de facto viermos a fazer a ligação – por meio da devisa das romãs –  na cortina do retrato do Infante D. Fernando, com o portal da igreja de São Brás de Cuba com a romãs em relevo e as romãs do manto da pintura do C. Colon em Sevilha, isto veria a ser  o Beijo da Morte”  na teoria do  cardador Colombo de Génova!

Será que haverá noutros  documentos  do Duque de Beja mais evidência concreta  a respeito da divisa das romãs?  Qual deve ser o caminho para esta pesquisa? O Director do Museu de Beja? Vamos escrever-lhe e pedir-lhe ajuda para esta empresa.  

Será que em todo Portugal não se encontrará  nenhuma  romã desenhada  ou esculpida em monumentos públicos ou privados em  catedrais,  igreja ou capelas,  ou até nos  brasões das 72 famílias brasonadas que ainda existem em  Portugal ou até em iluminuras de livros ou pergaminhos ???

Eu não tenho possibilidades ---   a viver nos Estados Unidos  há mais de sessenta anos --  de  poder examinar no local  ou em documentos coevos portugueses  -- os  dados acima mencionados.

Portanto venho por este meio lançar um apelo público para ver se chegamos a um diagnóstico certo, caso contrário  teremos que abandonar duma vez para sempre a pesquisa de que as romãs chegaram  a ser usadas em Portugal como símbolo mitológico.