Abril 26, 1989
“Comunidade Lusíada”
Editada por Luiz Martins
Página Portuguesa semanalmente publicada durante 30 anos pelos 4 jornais americanos: “Bristol Phoenix”, “Barrington Times”, “Warren Times” e “Sakonnet Times”, no Estado de Rhode Island, U. S. A.
EDITADA FOR LUIZ MARTINS
Nota do Editor:
No dia 15 de Março, quando publicamos um resumo da conferência do Prof. Hermano Saraiva em Santa Maria, fizemos a pergunta: "Porque aceitou o conferencista o convite para ir a Santa Maria pregar aos peixinhos se em nada concorda com a passagem de Cristóvão Colon por ali? Estes nossos historiadores são tesos...
Agradecemos ao nosso colaborador Dr. Manuel Luciano da Silva, o pioneiro das investigações históricas de que os navegadores Portugueses foram os primeiros a descobrir as Américas, a refutação enérgica e patriótica que faz ao "famoso" discurso do Prof. José Hermano Saraiva. Aqui está o artigo do Dr. Luciano da Silva:

Saraivada nos Açores
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
Li, muito atentamente, a série de cinco artigos publicados nos jornais "Portuguese Times" de New Bedford e "Portuguese-American Journal" de Providence, com o título "Passagem de Cristóvão Colombo pela Ilha de Santa Maria", texto da conferência que o Prof. José Hermano Saraiva fez no dia 19 de Fevereiro de 1989, na inauguração oficial das Comemorações do V Centenário da passagem do navegador Cristóvão Colombo por aquela ilha, no seu regresso a Europa, após a descoberta da América Central ou das Caraíbas.
Observei também a nota biográfica informando que o referido autor foi professor e Reitor da Universidade de Coimbra e até Ministro da Educação Nacional em Portugal. Elucidava também que ele, actualmente, é um dos mais conceituados historiadores contemporâneos.
Eu já tinha lido o mesmo discurso do Prof. Saraiva no "Destacável" da revista da Rádio Televisão Portuguesa do mês anterior. Há no entanto uma grande diferença entre os dois discursos. No texto do "Destacável" de Lisboa, publicado no Continente, lemos:
"Recentemente saiu em Portugal o livro do Sr. Mascarenhas Barreto, que tem, sobre os seus congéneres, a vantagem de ter sido feito na era informática e apresenta, por isso, um indiscutível mérito: prova como imaginário resiste aos computadores."
Vamos agora ver como é que o Prof. Saraiva pronunciou o mesmo parágrafo nos Açores, na Ilha de Santa Maria, na presença dos membros do Governo da Região Autónoma dos Açores, de professores universitários, dos representantes da imprensa, rádio e televisão e do povo açoriano que se interessa, muito orgulhosamente, pela História do seu Arquipélago.
Prestem atenção ao que o Prof. Saraiva disse nos Açores para verem a diferença. Aqui está:
"Recentemente saiu em Portugal o livro do Sr. Mascarenhas Barreto que repete e amplia os seus congéneres. Pode parecer espantoso, mas este livro foi tomado a sério, naturalmente pelas pessoas complemente ignorantes da história."
No Continente, em Lisboa, o Prof. Saraiva não disse: "naturalmente pelas pessoas completamente ignorantes da história". Disse "ignorantes da história" quando estava nos Açores, numa cerimónia oficial, a falar, de frente, de cara a cara, para a elite açoriana. O Prof. Saraiva falou tal qual um continental "de cima da burra" para os açorianos! Apesar do 25 de Abril, continua a existir o eterno cancro dos continentais considerarem os açorianos cidadãos de segunda classe! Mas sejamos francos: os açorianos enfiaram o "barrete do Saraiva" e parece que gostaram, porque até à data ainda não vi ninguém refutar os disparates do Prof. Saraiva. Pelo contrário, toda a imprensa, rádio e televisão nos Açores deram largas ao discurso do Saraiva! Aqui, na Nova Inglaterra, o "Portuguese Times" e o "Portuguese-American", ambos com directores açorianos, publicaram, até muito garbosamente, numa longa série, o "célebre" discurso do Saraiva! O nosso povo diz e com muita razão: "Quanto mais uma pessoa se baixa mais o rabo aparece!"
O discurso do José Hermano Saraiva não nos traz nada de novo! É tudo roupa velha! É muito degradante para a História de Portugal e muito ofensivo para todos os açorianos que se interessam pela História dos Descobrimentos.
Sei, de fonte segura, que o Prof. Saraiva "declarou recusar-se a ler a “obra", isto é, a ler o livro de Mascarenhas Barreto, intitulado "O Português Cristóvão Colombo, Agente Secreto do Rei D. João II” publicado em Lisboa em Junho de 1988.
O Prof. José Hermano Saraiva tem todo direito, como qualquer outra pessoa, de discordar dum livro, mas só depois de o ler! Criticar um livro, negativamente, sem o ler, sem o dissecar, é como um médico que passa a receitar sem examinar o doente! É um péssimo médico! Pode matar o doente! Isso não se faz! Um médico tem que, não só assistir, mas também fazer autópsias! Um crítico literário, neste caso histórico, tem que ler, tem que dissecar a obra em questão e apresentar depois as razões porque não concorda com as conclusões do autor. Não é com três larachas que se pode emitir uma opinião séria e científica. Isso é detestável e vergonhoso!
O Prof. José Hermano Saraiva ao declarar que as pessoas "que tomam a sério o livro de Mascarenhas Barreto são completamente ignorantes da história", revela uma posição repugnante e obnóxia!
O Prof. José Hermano Saraiva não tem direito, absolutamente nenhum, de insultar qualquer pessoa que tenha opinião diferente da sua sobre o livro do Dr. Mascarenhas Barreto. Tal afirmação do Prof. José Hermano Saraiva só revela vaidade e megalomania sobre os seus conhecimentos da História de Portugal. Aconselho ao Prof. Saraiva a vir cá para baixo da sua "torre de marfim" e "deixar de falar de cima égua"!
Confesso que tinha por José Hermano Saraiva outro conceito. Admira-me bastante que tendo sido ele professor da Universidade de Coimbra, minha "alma mater em Medicina ", uma Universidade nacional, tendo sido Ministro da Educação Nacional de Portugal e tornando-se uma figura nacional pelos programas de História na Rádio Televisão Portuguesa, não compreendo porque chamou de "ignorantes da história portuguesa todas as pessoas que tomam a sério o livro do Mascarenhas Barreto!” Por inveja ao Dr. Mascarenhas Barreto? O verdadeiro investigador científico, quer médico quer histórico, deve-se interessar, única e exclusivamente pela matéria a investigar e nunca pela personalidade que a investiga!
Se dissecarmos, ou melhor, se fizermos a autópsia ao discurso do Prof. J. H. Saraiva chegamos facilmente ao diagnóstico de que ele não analisou séria e claramente os documentos autenticados pelo verdadeiro navegador Cristóvão Colon. O discurso do Prof. J. H. Saraiva é como a espada de Carlos Magno: "muito chato e muito comprido". Quer mostrar tanta sapiência e acaba por fazer só jornalismo especulativo e humorismo bilioso!
A História dos Descobrimentos Portugueses é uma coisa muito séria e ninguém devia fazer chacota dela muito menos um professor - historiador que chegou a ser Ministro da Educação Nacional!
O Prof. J. H. Saraiva no seu discurso tomou a atitude de "magister dixit", o mestre disse! Isso já não se usa, professor, pertence à Idade Média, não tem cabidela no século XX. Aqui na América temos por costume classificar os professores universitários em duas categorias: da marca "cream"(mel) e da marca "crap" (merda). Infelizmente, tanto em Portugal como nos outros países no mundo existe o mesmo! Quando fui estudante de biologia na Universidade de New York e de medicina na Universidade de Coimbra, tive grandes mestres, mas também tive incompetentes.
No seu discurso o Prof. Saraiva revela bem que não entende nada da Sigla de Cristóvão Colon e portanto passa a enfeitar o seu discurso só com especulações que não merecem quaisquer críticas. Em vez disso e para usar melhor o tempo, vou apresentar uma lista dos factos históricos que o Prof. Saraiva não sabe, provando que ele é muito ignorante sobre o capítulo do Navegador Cristóvão Colon.
É Ignorante
(1) É ele mesmo quem confessa que não sabe o que é que as letras da Sigla de Cristóvão Colon significam. Olha para a Sigla "como um burro para o palácio".
(2) Não sabe que a parte superior da Sigla de Cristóvão Colon significa: "Sanctus, Sanctus, Altissimus, Sanctus, Filho de Maria e José" ou seja "Hosanna, Deo in excelsis est", "Deus que estais no Céu”.
(3) Não sabe que “Xpo” é a palavra grega, de uso universal, que quer dizer “Cristo” que a palavra latina “Ferens” quer dizer “mensageiro com uma ordem”.
(4) Não sabe que mensageiro em português é “val” ou “vão” e portanto a combinação de “Cristo” mais “vão” faz o nome: Cristóvão.
(5) Não sabe que os símbolos de pontuação de origem grega | : ] dois pontes e semicolon [ ; ] ponto e vírgula, há quinhentos anos, tanto em Portugal como em Espanha, [ : ] e [ ; | eram ambos chamados colons. Esta informação é muito importante para lermos, facilmente, na Sigla o nome do grande navegador: Cristovão Colon.
(6) Não sabe que na parte inferior da Sigla se lê também: Salvador Fernandes Zarco. Porquê? Porque Cristo também é chamado Salvador e Ferens é a abreviatura do nome Fernandes e o sinal de [ . / ) na Sigla é um sinal hebraico de pontuação que significa: Zarca ou Zarco.
Sigla do Cristóvão Colon

(7) Não sabe que Salvador Fernandes Zarco é o nome dum mancebo que nasceu em Cuba, Baixo Alentejo, em 1448, filho do Duque de Beja, D. Fernando e Isabel Gonçalves Zarco, filha de João Gonçalves Zarco, descobridor de Porto Santo e Madeira.
(8) O Prof. Saraiva defende a teoria de que o navegador Cristóvão Colon nasceu em Génova, mas o Prof. Saraiva ainda não sabe que a Teoria Genovesa é toda baseada em documentos falsos.
(9) Não sabe que o nome correcto do navegador era Cristóvão Colon. É assim que aparece na capa do único livro supervisado pelo próprio Cristóvão Colon, em 1502, antes de partir para a quarta viagem nas Índias Ocidentais. Esse livro chama-se "Livro de Profecias" e só contem documentos originais do famoso navegador.
(10) O Prof. Saraiva não sabe que os espanhóis e todos os povos que falam espanhol nunca trocaram o nome do navegador Cristóvão Colon para Colombo e que ainda hoje mantêm em todo o mundo onde se fale espanhol o nome verdadeiro: Cristóbal Colon.
(11) O Prof. Saraiva não sabe que a palavra Colon é uma palavra científica grega cujo significado ainda hoje é: membro, partes, falus. Não sabe que ainda hoje em medicina se usam mais de 40 palavras médicas compostas pela palavra científica colon: colon ascendente, colon transversal, colon descendente, colite, colostomia, etc.
(12) O Prof. Saraiva não sabe que é da raiz da palavra Colon que o nosso povo, a voz do povo, deriva os nomes populares das nossas partes podengas tais como, pénis, testículos, vagina, nádegas e ânus.
(13) O Prof. Saraiva não sabe que o nome Colombo em italiano quer dizer “pombo” e que a palavra Columbus em latim quer dizer “pombo”, isto é, ambos os nomes têm significado, totalmente diferente da palavra cientifica grega que quer dizer membro, partes, fálus. Quem é que fez, erradamente, a tradução de Colon para Colombo? Quem é que trocou alhos por bugalhos? Eu gostava de saber quem foi a cavalgadura que há mais de vinte gerações começou a usar, erradamente, em Portugal o nome falso Colombo em vez do nome verdadeiro Colon?
(14) O Prof. Saraiva não sabe que os nomes de Colombo ou Columbus são nomes falsos, inventados, fabricados e que constituem umas das maiores fraudes da História Mundial?
(I5) O Prof. Saraiva não sabe que o Codicilo Militar e o Testamento atribuídos ao navegador são documentos falsos não só na caligrafia, mas também no conteúdo e foram fabricados, pelo arquivista, Josepe Muratore, da República de Génova, doze anos depois de Cristóvão Colon ter morrido!
Investigadores da História
O Prof. J. H. Saraiva tem escrito muito sobre a História de Portugal, mas nunca fez nenhuma descoberta original quer em cartografia quer em análise de siglas históricas. E porquê? Porque o Prof. Saraiva não é um investigador da História é um copiador, um papagaio da história. Tira daqui, tira de acolá, põe-Ihe a sua opinião pessoal e zás, já está uma história feita. O Prof. Samuel Eliot Morison também escreveu muito, mas nunca descobriu nada de original!
As maiores descobertas da História Universal foram feitas por amadores, tais como, Troia por Schlimann, a Pedra de Rosetta por Champollion e a Civilização Minócia da Ilha de Creta por Michael Ventris.
Igualmente as maiores descobertas da História de Portugal foram feitas por amadores, tais como: Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Luciano Cordeiro, Pinheiro Chagas, Oliveira Martins, Gago Coutinho, Jaime Cortesão, Armando Cortesão e Teixeira da Mota.
Ao verdadeiro investigador da História só Ihe interessa a verdade, só Ihe interessa examinar, cientificamente, o documento concreto quer ele seja um pergaminho ou achado arqueológico. Portanto quando estudamos a história de Cristóvão Colon devemos cingir-nos única e exclusivamente à sua Sigla e aos documentos autênticos. Todo o resto é floreado é fantasia e deve ser atirado às profundezas do mar.
Como médico, fazer diagnósticos é minha profissão. Nunca ensinei história, nem sou historiador. Sou um investigador da História dos Descobrimentos. Só me interessa o documento e o facto histórico. Não estou subordinado a nenhuma instituição governamental ou privada. Nunca fiz da História o meu ganha pão.
Sou totalmente independente nas minhas investigações históricas. Não tenho que "publish or perish", isto é, não tenho que "publicar , seja o que for, ou então perco o meu trabalho, o meu tacho". É do conhecimento geral da Comunidade Lusíada que não tenho por costume escrever em público por quezílias pessoais. Tenho por norma, sim, refutar, veementemente, afirmações quando vejo que elas insultam a dignidade e o patriotismo da nossa gente, como é este caso flagrante do Prof. Saraiva.
Está mais que demonstrado a todo o mundo que muitos dos professores e historiadores em Portugal não se entendem porque são muito invejosos uns dos outros. Tem sido até à data uma verdadeira escandaleira o comportamento da Comissão Nacional dos Descobrimentos. Os seus componentes têm colocado acima do Património dos Descobrimentos Portugueses, a sua suposta importância de grandes personalidades, os seus interesses pessoais e a acumulação de vários "tachos"...
Ainda muito recentemente, a imprensa, televisão e rádio americanas, assim como a imprensa luso-americana relataram, largamente, que uma expedição inglesa tinha encontrado numa gruta, na ilha Abaco nas Bahamas, gravações com a bandeira de Portugal e a data de 1450, portanto 42 anos antes de Colon ter chegado as Caraíbas! A Comissão Nacional dos Descobrimentos em Lisboa, reagiu cautelosa, mas friamente, declarando que só depois dos peritos Portugueses examinarem as referidas inscrições é que se iam pronunciar!...
Os historiadores de Portugal, a Comissão Nacional dos Descobrimentos, em vez de tomar uma atitude estimuladora, geral e universal a respeito das pesquisas dos Descobrimentos Portugueses, quer em Portugal Continental, Açores e Madeira, quer através das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, têm, pelo contrário, desempenhado um papel antagónico.
Os julgados especialistas em Portugal continuam a pensar que só em Portugal é que há gente que entenda exclusivamente sobre Descobrimentos. Valham-nos todos os santos! Os historiadores em Portugal ainda não se aperceberam que a História dos Descobrimentos é uma Ciência Universal e que há fora de Portugal muita gente que sabe muito mais do que eles sobre a matéria!
Os historiadores de Portugal, "os saraivas de Portugal", com tanta sapiência, não foram capazes de descobrir as latitudes na Carta Náutica de 1424, revelando as "Verdadeiras Antilhas, as Antilhas Portuguesas: Terra Nova e Nova Escócia" e portanto, demonstrar ao mundo inteiro que ilhas no Mar das Caraíbas são chamadas, erradamente, as Antilhas. A Carta Náutica de 1424 é um documento original que prova, irrefutavelmente, que os Portugueses descobriram América do Norte 68 anos antes de Cristóvão Colon chegar a América Central.
Os historiadores de Portugal, "os saraivas de Portugal", não descobriram que o nome verdadeiro do grande navegador era Cristóvão Colon e nunca foi Colombo, nem Columbus, ambos nomes falsificados e fraudulentos.
"Os saraivas de Portugal", nunca ouviram falar na Sigla do Infante D. Henrique. Não sabem que o Infante, o Navegador, fechava sempre a sua Sigla com o sinal de colon ou de semi-colon, isto é, revelando secretamente que era Membro da Ordem de Cristo tal qual como fazia Cristóvão Colon na sua Sigla.
Os "saraivas de Portugal", julgam que os pontos e as virgulas na Sigla do Infante D. Henrique são cagadelas de moscas!...
Pavilhão Português
Em 1992 vai haver um Pavilhão Português na Feira International de Sevilha, em Espanha, para comemorar os Quinhentos Anos da Descoberta da América por Cristóvão Colon. O que é que esse Pavilhão vai ter de representação histórica dos Açores, sobre o período glorioso dos Descobrimentos Portugueses, no Mar dos Açores, mesmo antes de 1492 ? Não foram as Ilhas dos Açores as " estações interplanetárias", absolutamente essenciais, para o melhor prosseguimento dos Descobrimentos Portugueses? Ou os Açores vão ficar mais uma vez esquecidos? Será que os governantes e humanistas dos Açores enfiam o barrete e não vou reagir energicamente à "saraivada" do Prof. José Hermano Saraiva, exigindo do Governo Central um espaço condigno no Pavilhão Português da Feira Internacional de Sevilha, em 1992?
Já sou emigrante há mais de quatro décadas. Nós, emigrantes, espalhados pelo globo, somos, ainda hoje, como os marinheiros de outrora, considerados pela "capital do império, carne para os tubarões!"... É por isso que o meu coração fica oprimido, dói - me, sinto angina do peito, quando penso que nós, emigrantes, lutamos tanto perante os outros grupos étnicos nas comunidades onde vivemos para mantermos a nossa cabeça bem erguida, para defender a dignidade do nosso nome, a beleza da nossa língua mãe e o heroísmo da nossa História.
Descobertas das Bulas Papais e do Monograma
Depois da publicação deste artigo em Abril de 1989 a minha mulher Sílvia e eu fomos ao Vaticano (1993) e descobrimos o nome Colon escrito nas duas primeiras Bulas Papais de 1493 mandadas passar pelo Papa Alexandre VI. E a minha mulher decifrou (1989) também o Monograma de Salvador Fernandes Zarco. Estes achados foram as chaves de ouro para confirmar a teoria portuguesa do Navegador Cristóvão Colon.
“A Voz da Terra”
Jornal de Vale de Cambra, Portugal
Director: Telmo de Vasconcelos e Aguiar
Redactor: António Mesquita
O artigo “Saraivada nos Açores” foi publicado no Jornal da minha terra natal “A Voz da Terra” e o Prof. Saraiva que ao tempo era Director do “Diário Popular” em Lisboa ficou muito zangado e escreveu uma carta ao Editor do jornal cujo teor aqui está:
Lisboa 12 -6-89
Exmo. Senhor
Telmo de Vasconcelos Aguiar
Director do Jornal “A Voz da Terra”
Quinta Passal
3730 Macieira de Cambra
Exmo Senhor
Publicou o no. 15 do jornal de que V. Excia. é Director com grande destaque um artigo em que sou grosseiramente injuriado.
Autor é um individuo analfabeto em assuntos históricos e com o nível cultural e moral que se documenta nas páginas de que junto fotocópias e que fazem em parte integrante desta resposta, Ele responde se a si mesmo e todo o comentário seria supérfluo.
Não assim o comportamento de Va. Excia. que ao autorizar a publicação de colaborações deste tipo sensacionalista e demencial engana os leitores do seu jornal e ao permitir que se insulte sem qualquer razão um seu colega revela uma triste compreensão dos deveres impostos pela ética profissional.
Assina José Hermano Saraiva
Director do “Diário Popular“

Minha Resposta
O jornal “A Voz da Terra” publicou a carta do Prof. Saraiva e eu enviei ao mesmo jornal a minha refutação que foi publicada na Edição de Agosto de 1989. Aqui está ela:
Caro Senhor Director:
Gostei imenso que José Hermano Saraiva, director do "Diário Popular", de Lisboa, respondesse ao meu artigo intitulado "Saraivada nos Açores", publicado no número 15 do seu conceituado jornal "A Voz da Terra".
A carta que ele enviou ao seu jornal revela além de mais, duas coisas importantes:
(1) que ele leu o meu artigo "Saraivada nos Açores" e sentiu-o profundamente e
(2) leu também na totalidade o meu trabalho "Colombo era 100% Português”, porque ele mandou para o seu jornal "A Voz da Terra", uma fotocopia do exemplar que eu tinha autografado e enviado ao presidente da Câmara Municipal de Santa Maria, José Humberto Chaves.
No meu artigo "Saraivada nos Açores" critiquei a competência de José Hermano Saraiva como historiador e não como jornalista, ou director do "Diário Popular". Era como historiador que o Dr. José Hermano Saraiva devia ter refutado o meu artigo. Fiz uma lista de 15 factos demonstrando a ignorância do Saraiva historiador. Ele fugiu com o rabo a seringa e não refutou nenhum dos factos, obviamente, porque não tinha argumentos validos para nenhum deles!
O Dr. José Hermano Saraiva parece um homem de duas caras:
(1) historiador quando Ihe convém divulgar as suas fracas teorias históricas, e depois
(2) como director de um jornal para se proteger de toda e qualquer crítica à sombra da capa da ética profissional jornalística! Isto é uma atitude condenável num individuo que se alvora de historiador cientista!
O Dr. José Hermano Saraiva, como advogado, devia saber muito bem que tal comportamento é um caso, claríssimo, de conflito de interesses. Isso é ilegal, é obnóxio, em qualquer país do mundo!
Que Lei de Imprensa existe em Portugal que, por força da ética ou imunidade profissional, pode proteger um director de um jornal de tal modo que ninguém o pode criticar noutros jornais? Mas que liberdade de imprensa é essa? Quer dizer que os directores dos jornais em Portugal são deuses? Mas a censura não acabou em Portugal? Ainda continua a ditadura e o fascismo em Portugal?
Vejamos a diferença: nos Estados Unidos da América o Primeiro Artigo (que só tem 45 palavras) da Constituição Americana define os Direitos Humanos e regula as cinco liberdades essenciais de todos os cidadãos. Liberdade de:
(1) falar,
(2) escrever,
(3) religião,
(4) reunir publicamente,
(5) protestar perante as autoridades.
Que grande diferença: nos Estados Unidos a liberdade é tanta que até permite queimar-se em público, em sinal de liberdade protesto, a Bandeira Americana! Esse direito de liberdade foi, recentemente, confirmado por decisão do Supremo Tribunal da Justiça Americano! Aqui nos Estados Unidos, são a rádio, a televisão e os próprios jornais que têm que dar - porque assim manda a lei espaço livre - para que qualquer cidadão possa refutar qualquer artigo ou editorial com o qual não concorde!
O que o historiador-Saraiva devia fazer era pedir ao jornalista-Saraiva para publicar nas páginas centrais do jornal "Diário Popular" o meu artigo inteiro (do lado esquerdo) "Saraivada nos Açores". E na outra página (do lado direito) o historiador-Saraiva usaria espaço igual para refutar as minhas afirmações históricas. Isso, sim, é que seria o maior exemplo de liberdade de Imprensa em Portugal!
O José Hermano Saraiva, director do "Diário Popular", mandou para si, Sr. Telmo, "para ser publicado como parte integrante da resposta dele", cópias das páginas 21, 22 e 23 do meu trabalho "Colombo era 100% Português". Estas páginas são aquelas que explicam que o nome de Colombo é falso, porque a palavra quer dizer “pombo” e o grande navegador nunca foi “pombinho” nenhum... Demonstram também que a palavra Colon é de origem grega e teve impacto tremendo até aos nossos dias na terminologia médica anatómica do nosso corpo, quer nos intestinos quer nas partes genitais.
Armando-se em moralista, o José Hermano Saraiva fez, muito caprichosamente, a selecção das três páginas do meu trabalho para me acusar de imoral! Com esta técnica, serve-se deste extracto -- fora do contexto - para se apresentar como verdadeiro puritano perante o público leitor.
O Presidente Lincoln, o mais erudito de todos os Presidentes dos Estados Unidos, disse das figuras públicas: "Quando perderes, basta só uma vez, a confiança dos teus concidadãos, nunca mais serás capaz de readquirir o respeito e a estima deles. É certo que podes enganar todas as pessoas algumas vezes; poderás enganar todas as pessoas todas as vezes; mas nunca serás capaz de enganar toda a gente, todas as vezes."
O historiador José Hermano Saraiva tem andado a enganar toda a gente com a sua bazófia histórica. Chegou agora a altura de dissecarmos o seu tendão de Aquiles, demonstrando que o nome do grande navegador era Cristóvão Colon como José Hermano Saraiva ignora acerrimamente. O nome falso de Colombo é a maior fraude da História Universal. Deve ser corrigida e rectificada!
No dia 17 de Abril de 1969, José Hermano Saraiva, então Ministro da Educação Nacional, foi a Coimbra com o Presidente Américo Tomás para inaugurar o edifício das Matemáticas. Os estudantes que enchiam por complete a sala aguardavam que o Saraiva terminasse o seu discurso para ser dada a palavra ao Presidente da Associação Académica, Alberto Martins, que pouco antes a tinha pedido. Mas o Saraiva comportando-se como um ferrenho fascista - logo depois de ter terminado o seu discurso, apressado, abandonou o edifício com os restantes membros do Governo por entre os apupos dos estudantes.
Chegou a hora de toda a Academia de Coimbra e todos os estudantes de Portugal ao inteirarem-se da grande fraude de Colombo, fazerem nas praças públicas, das aldeias, vilas, cidades de Portugal e na Universidade de Coimbra em frente ao edifício das Matemáticas -- autos-de-fé,-- queimando os livros que ensinam a grande mentira do nome genovês Colombo. Essas fogueiras, -- esses autos-de-fé -- por todo Portugal – de lés-a-lés. constituirão verdadeira consagração feita pelo Povo Português, vinculando para Portugal a descoberta da América e honrando o grande navegador português, que adoptou o nome de Cristóvão Colon! E o primeiro livro a ser atirado à fogueira deverá ser "História Concisa de Portugal!" do José Hermano Saraiva, para consagração completa da liberdade e democracia dos Estudantes de Portugal.
O Sr. Director Telmo Vasconcelos prestou um serviço extraordinário à Pátria portuguesa, em publicar o meu artigo "Saraivada nos Açores", e inserir agora a carta do Dr. José Hermano Saraiva, director do jornal "Diário Popular", assim como esta minha resposta. A obra ficaria completa se pudesse também publicar o meu trabalho na Integra, "Colombo era 100% Português!" Então, sim, o Povo Português ficaria com todos os dados para que, com a sua inteligência e a sua liberdade democrática pudesse chegar a uma sentença imparcial!
O seu jornal apesar de ser um jornal da Província teve a coragem de publicar o meu artigo "Saraivada nos Açores" que pelos vistos nenhum jornal de Lisboa publicaria. Mas não admira, porque sempre houve mais patriotismo sincero na Província. Basta lembrarmos que foi na Província que nasceu Portugal, há mais de 861 a nos!
Muito respeitosamente e com os melhores saudações.
a) Manuel Luciano da Silva
Post Scriptum – A monografia intitulada “Cristóvão Colombo era 100% Português” com 32 páginas (tamanho 8.5 por 11 polegadas) da autoria de Manuel Luciano da Silva, recebeu o diploma de Copyright na Biblioteca do Congresso Americano no dia 6 de Janeiro de 1989. Contem 54 fotos e mapas.