Se eu fosse um candidato a um cargo
político na América!
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Desde 8 de Setembro de 1960, quando fiz a primeira conferência sobre as inscrições da Pedra de Dighton, no Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos, em Lisboa, Portugal, já realizei até a esta data (Agosto de 2002), trezentas e sessenta e três palestras.
Deste número de 363, só fiz 37 conferências em português e a maior parte delas foram
durante as minhas visitas a Portugal.
Mas as melhores críticas às minhas palestras têm sido feitas pela
imprensa americana. Já tive artigos muito
positivos no The New York Times,
Boston Globe, Christian Science
Monitor, New York Daily News, Chicago Tribune, Philadelphia Enquirer, Los
Angeles Times, etc.
Com esta introdução, simplesmente
quero dizer que apesar de não ser político, conheço muito bem por
experiência própria as técnicas que usei -- durante
os 56 anos que já vivo na America -- para
se captar o grande público para a causa que defendemos.
Por outro lado, já há muitos anos, fui
convidado por ambos os partidos,
quer democrático, quer republicano, para
concorrer para o cargo político
que eu quisesse, convite que eu declinei e ainda hoje recuso. Portanto estou ávontade
para falar independentemente da política e dos políticos, especialmente
luso-americanos.
Se eu fosse candidato a um cargo político, como por exemplo vereador da câmara municipal, congressista ou senador estadual, ou mesmo até Mayor, (presidente da câmara), e vivesse numa comunidade luso-americana, na Nova Inglaterra, a primeira coisa que eu faria era NÃO gastar UM CENTAVO AMERICANO em anúncios da minha campanha, nos jornais de língua portuguesa, nos programas de rádio ou até nos programas de televisão.
E porquê decisão tão radical???
Porque
na realidade o número de pessoas que lêem os jornais luso-americanos
ou que ouvem os programas de rádio em português,
e que vão às urnas para votar nas eleições americanas é tão PEQUENO que NÃO
merecem, nem o esforço,
nem o dinheiro dos anúncios!
Por outro lado
tanto os jornais, como os programas de rádio e TV
NÃO têm feito o seu dever em encorajar em todas as
suas edições e em editoriais, a explicar
aos luso-americanos para se naturalizarem, registarem e votarem em todas
as eleições. Portanto não
merecem os meus anúncios!
Esta campanha cívica devia ser CONSTANTE, NÃO
OCASIONAL COMO ALGUNS FAZEM!
É por isso que tanto os jornais, como os
programas de rádio e de TV têm o destino marcado: morrer dentro de poucos
anos.
A imigração para América
terminou, os velhotes da nossa comunidade vão morrendo, as casas
comerciais luso-americanas vão fechando e
não vai haver comércio para dar anúncios para os jornais, rádio e TV.
Todos os responsáveis pelos jornais,
programas de rádio e TV, FALHARAM
redondamente em não aproveitarem o filão de ouro que são os jovens
luso-americanos que estão a frequentar os
liceus nas comunidades onde
vivemos, envolvendo-os nos meios de comunicação luso-americanos.
Não o têm feito
porque não sabem suficiente o inglês
e também porque preferem tomar uma atitude de paternalista.
Outra
coisa que eu faria,
era NÃO visitar os clubes portugueses!
Porquê?
Pela mesmas razões:
o número dos membros dos clubes portugueses que são cidadãos
naturalizados americanos e que estão registados e que votam
é tão PEQUENO que não
MERECEM, politicamente, CONSIDERAÇÃO NENHUMA!
Há tempos vi com os meus
olhos um ex-presidente duma organização luso-americana (uma das mais velhas da
América), dizer ao microfone que não
era cidadão americano, em frente de
vários
dos políticos locais americanos eleitos,
que tinham vindo por cortesia
política assistir a um aniversário
dessa mesma organização.
Este comportamento público
é um exemplo da nossa infelicidade política na América!
Afecta-nos a todos. Prejudica-nos a todos!
Temos que parar com estes
exemplos. Os jornais, rádio e TV têm
muitas responsabilidades no tratamento desta
“doença da ignorância política” e continuam
a não fazer NADA que se veja!
Se algum jornal ou rádio criticasse a minha atitude de não lhes dar anúncios da minha campanha, claro que não lhes ligava nenhuma, porque "vozes de burro nunca chegam ao céu".
Como é que eu iria
conduzir
a minha campanha política?
À MODA AMERICANANA !
Pois nós estamos na América
e os votos que contam são os votos dos cidadãos americanos que estão
registados e que votam. Estes é
que têm valor! Todo o resto não vale NADA!
Como o índice de xenofobia
está tão alto agora na América,
quanto MENOS eu falar na minha
campanha política da “santa terrinha onde eu nasci”,
muito melhor será para a minha campanha
política!
Serei franco na
minha campanha política: todos os meus esforços serão ACIMA DE TUDO orientados
e dedicados para os cidadãos americanos.
Quem não é cidadão americano e que não vota que tenha paciência.
Que sofra as consequências
de o não ser.
Muitos dos nossos imigrantes
escolheram não ser cidadãos americanos,
e não votarem, portanto que aguentem as consequências... Não valem
nada, politicamente, também não devem receber NADA!
Seria activo na
minha igreja local, porque aí há respeito e muita gente boa que
é cidadã americana e que vota e que se interessa pelo bem comum da
comunidade onde eu vivo.
De resto toda a minha
campanha seria baseada nas minhas investigações e estudo
das escolas, dos meios de
transportes, do meio ambiente, das
utilidades públicas, como água,
luz e certamente a
saúde pública.
Com muita antecedência iria
preparar-me para enfrentar todo o tipo de perguntas ou debates à maneira
americana.
Faria a minha campanha com
muita garra e entusiasmo. Mostrando aos votantes que eu era competente e que acreditava na minha plataforma
profundamente.
Os políticos dos Açores
começaram, recentemente, um
movimento para que os emigrantes dos Açores
que vivem na América tenham direito a votarem nas
eleições locais nos Açores!
Oh! Senhores, que idéia tão
estúpida!...
Os emigrantes açorianos não
votam aqui, vivem aqui, trabalham
aqui, comem, bebem, defecam e
urinam aqui e vão acabar por
morrer aqui e os Srs. querem que eles votem nos Açores!!!
Pela vossa
rica saúde! Oxalá o Senhor Santo Cristo ilumine os vossos espíritos e vos
dê mais clarividência política!
Amen!