Segundo artigo
Pelo Jornalista-historiador Basílio José Dias

O Dr. Manuel
Luciano da Silva desapossou-se dos momentos de descanso que a profissão
de médico
prognostica e quando a maré baixa
autorizava, calçou botas altas impermeáveis
e lá ía ele, a
estudar a já baptizada “Pedra de Dighton ”.
(Nota do
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Vista aérea do Museu da Pedra de Dighton. O Pavilhão que contem a Pedra dentro de uma redoma de vidro é o edifício com a casinha pegada. A pedra em 1963 foi elevada 11 pés, porque até essa altura estava metida na água do rio Taunton. O outro edifício contíguo é o Museu propriamente dito, contendo os painéis e os artefactos marítimos. |
O
Dr. Manuel Luciano da Silva, porém, minucioso
nos elementos
confirmativos do que se propôs esclarecer, transcreve,
na íntegra, cartas de dois diplomatas italianos, em representação
em Lisboa, Alberto Cantino e Pedro Pasqualigo.
Ambos descrevem «os
icebergs, o Continente-Canadá,
os «índios»
(o tal baptismo ou alcunha Colombiano), que
Gaspar trouxera como mostra, «um tanto mais altos que os nossos naturais»,
vestidos com peles de animais, principalmente
lontras-homens que são os mais excelentes
para o trabalho e os melhores escravos que houve até agora.
O seu aspecto asselvajado, encobre atitudes e gestos
muito suaves, riem bastante e demonstram grande alegria.
Refere,
ainda, a referida correspondência que a distância
da Terra Nova a Lisboa «Dizem
ser mil e oitocentas milhas
ou duas mil milhas».
Estes
são alguns dos reparos dos italianos Alberto Cantino e Pedro Pasqualigo,
referentes aos aborígenes americanos
trazidos por Gaspar Corte Real, que eram os descendentes
dos grupos mongóis, que havia 20.000 ou 25.000,
ou mais milhares de anos atrás, sangraram os pés, atravessando
os rochedos do estreito de Bearing.
Mas
Gaspar, insatisfeito com o muito que havia praticado,
teimou aprofundar conhecimentos «e que quer ainda agora a continuar a por em
obra e fazer nisto quanto puder por
achar», como acentua o Rei D. Manuel, em Carta Real de
12
de Maio
de
1500.
Desta
última vez, Gaspar partiu... mas não regressou. Deu
início à tragedia.
Seu
irmão
Miguel, rogou a D. Manuel para o procurar,
que
a 11-1-1502, condescendeu: «fazemos saber que Miguel
Corte Real, fidalgo da nossa casa e nosso porteiro mor,
nos disse ora que vendo ele como Gaspar Corte Real, seu
irmão,
havia dias que partira desta cidade, com 3 navios
a descobrir terra nova, da qual já tinha achado parte dela e como depois de
passado tempo viera dois dos ditos navios à dita cidade haveriam cinco meses e
ele
não
vinha, que ele
o queria ir buscar».
Assim,
devidamente autorizado, Miguel aproou à Terra que
viria a tomar o nome de Cortes Reais. Partiu e... desaparecidos
documentos históricos,
só restou a lenda.
Em
1913, o Professor de Psicologia, Edmund Burke Delabarre,
da Universidade de Brown, interessou-se
pelas «garatujas»
de uma pedra de 40 toneladas, jazendo na margem
esquerda do Rio Taunton, próximo da Vila de Dighton,
não
longe de Fall River, na Nova Inglaterra. «Garatujas», que haviam atraído a
atenção do Reverendo John
Danforth, em 1680,
de James Winthrop, em 1788, de Baylies e
Goodwin,
em 1790.
O
Professor Delabarre, durante doze anos
estudou o que se
escrevia sobre o assunto, sem conseguir tirar conclusões satisfatórias. Mas insistiu
na
análise directa da «pedra» e, em
2 de Dezembro de 1918, distinguiu a data de 1511. Um achado,
a estimular e convencer que outros estariam a aguardar
a sua hora de revelação. Delabarre, desvendou, logo a seguir
MI e CORT, que queriam gritar MIGUEL CORTE REAL
e «viu», também, o escudo português em
"V".
Por
estas descobertas, o Professor Delabarre, foi condecorado
pelo Governo Português, com a Comenda da Ordem
de Cristo.
José
Dâmaso Fragoso natural de São Miguel, Vila da Lagoa, prestou atenção à
Pedra de
Dighton
desde 1928, fundando
a “Memorial Society de Miguel Corte Real"
que comprou os 49,5 acres da terra adjacente à Pedra e fundou
também
a revista intitulada “ O Mundo Português”.
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Pedra de Dighton dentro da redoma de vidro no
Pavilhão do Museu. Foto de Victor Nóbrega com grande angular.
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No
século XX, porém, tudo se esclareceu. Já era tempo.
Leu, releu, luz ao
alto, luz rasante, frio, chuva, tudo fazia
parte do propósito de por a claro, o que fora gravado na pedra, com a lágrima
da saudade no corte do cinzel. Teimou ... padeceu... decifrou: Miguel Corte Real
e sua companha, foram os primeiros
repovoadores do Continente Americano
na era áurea portuguesa.
O Dr. Manuel Luciano
da Silva tem recebido felicitações de
muitos meios intelectuais. Quanto a nós, falta a presença do agradecimento AÇORIANO.
América...
América, grande é o teu porte. Na seiva que
te nutre, correm lembranças tristes, outras conformadas e sangue, suor,
com muitas
lágrimas de bons Portugueses, que sempre contigo estiveram... e se não afastam.
Nota:
Sempre por insistência do Dr. Manuel Luciano da Silva, a "A Pedra
de Dighton ", ou melhor "O Padrão
de
Dighton ", ocupa hoje uma vitrina
octogonal,
num pavilhão
construído para o efeito na Parque Estadual próximo da cama lodosa, onde havia
jazido por milhões de anos, no
Rio Taunton,
a Sul de
Massachusets.