Terceiro
artigo

Publicado
no “Atlântico Expresso”, 27 de
Dezembro de 2004
Ponta
Delgada, São Miguel, Açores
Do
Século XV ao Século XX
Repovadores
e companhia
(Nota do
Eis o terceiro artigo de Basílio José Dias
Chamamos
a atenção para o debito dos
Açores, para com o Dr. Manuel Luciano
da Silva, que no Século XX, deu esforço isolado,
para retirar da lama das águas do Rio
Taunton, próximo de Fall River, o DOCUMENTO,
necessário e suficiente, para substituir
da lenda ou meias hipóteses, o herói
e talvez Santo Açoriano, Miguel Corte
Real. As provas palpáveis que até então se
escondiam com as marés, galgaram a terra
e instalaram-se em lugar de destaque para testemunhar
os factos ocorridos 500 anos atrás.
São
os documentos visíveis, que contam, a perpetuar em letras de luto, embora,
no pedestal da História Trágico-Marítima,
dessa
era, em que a Pátria
valia a aventura e a vida dos seus
filhos, com a paga por conta das
ondas, e dos ventos. E o imprevisto não
entrava na despesa, bastava o apego ao dever
a cumprir, usando nervos enrijados pela
Fé e músculos sustentados pela ânsia de
superar as rudezas e carências das missões.
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Os barcos de Gaspar e Miguel combinaram encontrarem-se no paralelo 42 (cerca da ponta do Cabo dos Bacalhaus), no dia 20 de Agosto para regressarem a Portugal. Quem não aparecesse ficava para trás. Assim no terceiro domingo do mês de Agosto, para celebrar o “Dia da Saudade” têm-se realizado Missas Campais em frente ao Museu da Pedra de Dighton. |
Tentamos evidenciar o período dos estudos da única via aberta dos mares,
para
Portugal
achar novas terras. Porque era preciso implantar um Império, além do enigmático horizonte, que recebesse e
alimentasse
o crescimento da população e alargasse o território necessário para
elevar o estatuto
de autoconfiança e por a distância, as
nações candidatas a trocas e negócios,
na
correspondente
linha da igualdade.
E
acrescentamos, que Miguel e sua marinhagem, por precedência e DOCUMENTO, foram os primeiros Repovoadores
da
América,
na era áurea desse surpreendente
esforço português, para firmar a sua nacionalidade e ter direito a proteger o
seu futuro.
DOCUMENTO,
ao abrigo da LEI, onde
constam, a data, bem legível -1511 - o nome
de quem sabe escrever e se
responsabiliza
pelos seus actos - MIGUEL CORTE REAL
- e o selo inconfundível da CRUZ DE
CRISTO, que chancela a exactidão.
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Fig 2 |
Fig 3 |
O que sabemos sobre o que ele presenciou nas suas visitas a América,
esta descrito
pelos diplomatas espiões italianos,
Alberto Cantino e Pedro Pasqualigo.
Cantino, escreveu ao seu «patrão», Hércules de Este, Duque de Ferrara, que
vigiava
ocasião de intercalar oportunidade para
desviar lucres.
Damos
os tópicos principais:
«No
quarto mês chegaram à vista de um
grandíssimo país... encontraram abundância de frutas várias
e suavíssimas e árvores
e pinheiros de tão grandes altura e
espessura
que
seriam grandes demais para mastros
da
maior
nau que andasse nos mares... os homens deste país dizem não viverem senão da
pesca e da caça de animais, dos quais a
terra abunda, veados de longo pelo,
cuja
pele
eles usam para vestuário e fazer casas
e barcos... dos homens e mulheres
deste
lugar,
agarrados pela força, cerca de cinquenta e tendo-os trazido ao Rei, os quais
eu também vi, toquei e examine!;
começando pelo seu tamanho, digo que são um
tanto mais
altos que os nossos naturais, com
membros correspondentes e bem
formados...
os
olhos são esverdeados e quando nos
olham, dão uma grande frieza a toda
a face;
o falar
não se entende mas mesmo assim
não há qualquer aspereza e é
portanto humano; as suas atitudes e gestos são muito
suaves, riem bastante e demonstram
grande
alegria, isto quanto aos homens. A mulher tem seios pequenos e um corpo muito
belo, tem um ar bastante gentil e da
sua cor
quase
se pode dizer tão branca do que qualquer outra... em todas as partes estão
nus
salvo
nas partes vergonhosas que estão com
pele dos veados... não possuem armas
nem
ferro,
mas sei que trabalham e sei que o fazem com duríssima pedra aguçada, não
havendo nada tão duro que não possam cortar
com
ela... este navio navegou durante um mês e dizem ser duas mil e oitocentas milhas de distância...»
Pasqualigo também escreveu. Calcula a
distância de Lisboa de mil e
oitocentas milhas.
Pouco adianta a carta de Cantino.
Foram estes dois informadores dos ICEBERGS,
que dão nota das viagem de Gaspar.
Ao pedido de Miguel para «achar» seu irmão, o Rei D.
Manuel, em 11 de Janeiro
de 1502, condescendeu e acrescentou: «que
sendo o caso que
ele não ache o dito seu
irmão, ou sendo falecido, o que Deus não
mande, queremos
e nos praz que toda a terra firme e ilhas que ele por si
novamente
neste ano de mil quinhentos e dois descobrir e achar,
além da
que seu irmão tiver achada, ele a
haja para si (Miguel) e Ihe fazemos
dela doação e merece com aquelas jurisdições,
direitos, capitanias, clausulas, condições...»
Foi assim, que a Terra Nova, ou Terra dos Bacalhaus, também
adquiriu, por doação Real, o terceiro nome, de Terra dos CORTE
REAIS.
Miguel, nem teve tempo de relatar os
resultados das
suas arriscadas viagens. Ele
e os desditosos companheiros de infortúnio, porém, marcaram a sua presença, no
linguajar das
tribos índias.
Palavras
portuguesas, entraram para permanecer, no
dialecto dos nativos.
O Dr. Manuel Luciano da Silva, indica
algumas, como
prova do contacto demorado, havido com interlocutores a falar português:
Cabbo, que deu cape, em inglês.
Casco, Curvo, Pico, Manha, Pouca, Vasque, Ariscos,
Chepadas, Cochecho, Machias, Negas, Osso, Sabado, Tomar, que
deu
Tomah River, Tomah Lake; Tejo ou Tagus,
que baptizou Tagus River, Tagus Lake, Sagres,
havendo um local próximo da Pedra de
Dighton, de nome Sagues e Saugus, uma vila a norte de Boston, Catana, Monte
- Mount Hope,
Montaut - Mont'Alto, Amen
• Amenquina,
nome de chefe índio, etc.