Thomas Jefferson não era de pau!
Estive
lá no tempo da ditadura
de Salazar, quando a liberdade de
palavra estava amarfanhada e por
isso a Academia, isto é, os
estudantes em geral, serviam-se das Latadas e das
Queima das Fitas para darem largas ao seu humor. Foi em Coimbra, na minha
"alma mater", que aprendi
a manter, pela vida fora, um
espírito jovem, positivo e irreverente
que ainda hoje, aos 72 anos de
idade, me sabe bem!
Quando
se é estudante em Coimbra há sempre muita
falta de dinheiro... Por
isso a tradição académica diz-nos que um estudante normal
escreveu ao pai para lhe
mandar dinheiro e fez uma lista: tanto para livros, tanto para
papel e lápis, tanto para o aluguer do quarto e
para as refeições, deixando sempre
para último a frase que o pai devia entender: " e um homem não é de pau!"
Outro
caso relacionado com mandar dinheiro, contava-se no meu tempo como uma história verídica: O pai era médico e o filho estava em Coimbra também
para ser médico. Todas as vezes
que o filho passava um exame mandava ao pai médico um telegrama: "Pai,
passei no exame, mande dinheiro".
Sucede que passados anos, quando o filho já estava a exercer a medicina,
o mesmo pai médico foi para
Coimbra tirar uma especialidade e quando terminou o
curso e passou nos exames
mandou ao filho médico o seguinte telegrama. "Passei no exame, manda
dinheiro!"
A
respeito da frase "um homem não é de pau!", existe presentemente uma
grande discussão nos meios de
comunicação americanos por causa do DNA do Presidente
Thomas Jefferson, que
confirma, segundo as más línguas,
que o Terceiro Presidente Americano teve amores proibidos com uma escrava
muito bonita que era sua criada, Sally Hemings
e que esta deu à luz
um cidadão americano de
nome Easton Hemings.
Os
estudos genéticos baseados em
DNA foram feitos
comparando o DNA dos descendentes vivos,
directos do Thomas Jefferson, com
os descendentes vivos,
descendentes da escrava Sally
Hemings, através dos descendentes
do tal filho Easton Hemings,
nascido há duzentos anos.
DNA
Penso
que seria bom nesta altura explicar, numa forma muito simples
aos leitores o que é
DNA. DNA é uma sigla,
composta pelas letras
iniciais do nome da substância "Deoxyribo
Nucleic Acid", ou seja
a estrutura molecular, ou
melhor a UNIDADE DA VIDA e que
contem toda a informação genética
e hereditária do indivíduo. Esta
descoberta genial do DNA foi
feita pelos cientistas James D. Watson, Francis Crick e M. H.F. Wilkings que
receberam o Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia
em 1962.
Se
o DNA é a UNIDADE DA VIDA vamos
compará-lo a um tijolo. Com tijolos iguais nós podemos construir uma parede,
uma casa, uma ponte, um aqueduto, uma capela, uma igreja, uma catedral, um
estádio, etc. Pois a Natureza com a unidade da vida DNA também constrói
vírus, bactérias, piolhos, pulgas, lombrigas,
sardinhas, cobras, sapos, cães,
gatos, porcos, vacas, galinhas,
pombos, pardais, homens, mulheres,
macacos, pinheiros, oliveiras,
figueiras, tigres, elefantes, baleias, etc.
Quer dizer que todos os seres vivos, quer do
reino animal quer do
vegetal, são todos irmãos,
porque todos são
feitos à custa da mesma
UNIDADE DA VIDA ou seja do
denominador comum DNA.
Se
o DNA é igual para todos os seres vivos, à
semelhança dos tijolos iguais com os quais se podem fazer
construções diferentes, porque são colocados de maneiras diferentes, (fazer
uma parede, uma casa, etc.) também
os vários indivíduos são
diferentes porque o DNA é
arranjado em diferentes maneiras
e é por isso que os seres
vivos são diferentes. Mas esta
diferença nota-se mesmo entre os membros da mesma espécie. Todos nós sabemos
que cada pessoa tem impressões
digitais diferentes. Pois essas
diferenças são originadas pelo DNA. Mas os cientistas agora, com ajuda do
microscópio electrónico, vão directamente
ao DNA de cada indivíduo e
assim verificam directamente como é que
os "tijolos do DNA" estão alinhados!
Vou
dar ainda mais outro exemplo. Quando
acabamos as nossas compras num Supermercado,
ou no "Home Depot"
e chegamos à máquina
registadora, a empregada
coloca em frente da janelinha do computador o "UPC Label" ou
seja a etiqueta de cada
objecto, e
ouve-se então um "pio",
registando ao mesmo tempo
o preço de cada
compra em
números luminosos. Pois a disposição do nosso DNA ao microscópio
electrónico tem uma APARÊNCIA
semelhante aos diferentes "UPC Labels"
ou etiquetas dos preços. Cada
pessoa tem o seu "UPC Label" característico,
assim como todos os membros da mesma família, através de todas as gerações.
Foi o que aconteceu no caso do Thomas Jefferson. É por isso que em
crimologia a análise do DNA é a
evidência mais exacta. Foi o que
sucedeu também
com o vestido da Monica Lewinsky que
tinha a mancha
do esperma do Bill Clinton. Por isso Presidente
Clinton não contestou!
OITO
LIVROS
Já
foram publicados oito livros, todos eles volumosos, sobre a paternidade
de Thomas Jefferson, com a bonita
escrava Sally Hemings. Passaram
a chamar todos os nomes ao Presidente Thomas Jefferson: que ele era um hipócrita,
um racista, um homem de duas caras, um
mentiroso, um cruel.
A
meu ver nada destes adjectivos tem importância nenhuma, porque os vários
críticos estão a analisar o comportamento de Thomas Jefferson fora do contexto
do tempo em que ele viveu há duzentos
anos.
Thomas
Jefferson foi um dos mais eminentes
políticos americanos, um grande
estadista, o primeiro arqueologista
americano, agricultor, vilolinista, filósofo, poliglota, (cinco línguas,
enquanto os presidentes
americanos deste século só
falam uma), matemático, astrónomo,
inventor, etnógrafo,
eonófilo (especialista em vinhos),
escritor clássico,
sendo o autor principal
da Declaração da Independência da Americana, um dos documentos
mais importante deste milénio que está agora a acabar.
Mas
de toda esta contenda a parte mais
curiosa é que os descendentes do Presidente
Thomas Jefferson, através
da evidência do DNA, não se sentem envergonhados,
pelo contrário sentem-se até muito honrados por
terem cromossomas e genes de
um pai tão famoso. Agora estão a
fazer todo os esforços para serem
sepultados no cemitério da família do
Thomas Jefferson que há na área
do Monticello, a famosa residência do Terceiro
Presidente da América.
Os
problemas actuais do racismo na América devem-se ao puritanismo que continua a
haver neste país. Os americanos gostam muito de ser gnósticos, isto é,
extremistas nas relações humanas
e nos conceitos da moralidade. Preferem sempre
antónimos. Perfeito ou vilão.
Heroi ou cobarde. Cowboy ou índio.
Preto ou branco. Não admitem o
mulato! Não sabem que "Deus
criou o preto e o branco mas o português
fez o mulato".
Os
críticos americanos do Thomas Jefferson, armam-se em moralistas, em virgens
sexuais, fazem um cavalo de batalha
por causa do
filho que ele gerou à escrava
-- e diga-se em abono da verdade
que ele sempre
a tratou muito bem --
e não censuram absolutamente nada a
tragédia ou doença
nacional de mais de cinquenta por cento de divórcios que existe
neste país e também não
dizem ABSOLUTAMENTE NADA sobre os
dados estatísticos, nus e crus, de
que ANUALMENTE nascem
na AMÉRICA mais de
UM MILHÃO E MEIO DE FILHOS
ILIGÍTIMOS !
Em
1970 havia nos Estados Unidos 3.8 milhões de mães solteiras.
Mas este número TRIPLICOU para
11.7 milhões em 1996. Na América
devia haver uma lei como existe na China. A mãe tem que dizer SEMPRE
às autoridades quem é o pai da criança
para ele assumir
50% da responsabilidade de
criar e educar o novo rebento.
Os
críticos e as críticas de Thomas Jefferson
ficam todos raivosos
por ele não ter sido um
homem de carne e osso! Queriam que
ele fosse um santo de pau! Foi pena
ele não ter deixado mais filhos porque a semente era boa!...
O
nome do meio do actual Presidente Bill Clinton também é Jefferson. O nome
completo dele é: William Jefferson Clinton. Porque será que ele nunca usa Jefferson? Será para esconder o "pau"
contido no nome Jefferson?
Coitado do Presidente Clinton, não chegou a ir para cama com a Monica!
**********************************************
Bibliografia
Já foram publicados
OITO volumosos livros sobre os amores proibidos do Presidente Thomas Jefferson:
(1) Henry Adams
"History of the United States of America During the First
Administration of Thomas Jefferson (Charles Scriber's Sons, 1889)
(2) Dumas Malone "Jefferson
the President, First Term," 1801-1805 (Little, Brown and Co,. 1970.
(3) Merril D. Peterson Thomas
Jefferson and the New Nation (Oxford University Press) 1970.
(4) Fawn M. Brodie Thomas
Jefferson an Intimate History (W. W. Norton & Co.) 1974.
(5) Garry Wills Uncle
Thomas Cabin (New York Review Books) 1974.
(6) Joel Williamson New
People: Miscegenation and Mulattoes in the United States
(Free Press) 1980.
(7) Joseph J. Ellis
American Sphinx: The Character of Thomas Jefferson (Alfred A.
Knopf ) 1997.
(8) Annette Gordon-Reed Thomas Jefferson and Sally Hemings: An American Controversy (University Press of Virginia) 1997.