“Não foi Deus que  criou o Homem, 
foi o Homem que inventou Deus!”
Disse Voltaire, filósofo francês, 1694 – 1778

Voltaire aos 40 anos 

Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Voltaire é o pseudónimo de Francois Marie Arouet  nascido em Paris, França  em 1694. Era filho dum advogado. Tornou-se um dos escritores mais famosos da França, como poeta, escritor, historiador e filósofo. Era muito satírico e crítico das autoridades e  por isso chegou a estar preso na Bastilha.

Mesmo na prisão continuou a escrever e revelou ideias  verdadeiramente revolucionárias as quais  nos fazem arrepiar  ainda hoje,  tais como: “O Sol quando nasce é para todos”  e  “Não foi Deus que criou o Homem, foi o Homem  que inventou Deus!”

Nós sabemos que já existiram, entre os vários povos,  mais de quinze mil  religiões diferentes na humanidade!  Para quê  tantos deuses?  Voltaire pronunciou-se fortemente contra o fanatismo religioso e chegou a escrever vários panfletos opondo-se contra a intolerância religiosa.  Os seus escritos tiveram uma importância muito grande na Revolução Francesa  e na criação da Constituição dos Estados Unidos da América, o documento mais livre no mundo!

Voltaire, cheio de fama mundial, morreu em Paris a 30 de Maio de 1778, mas devido aos seus escritos anticlericais não recebeu um funeral cristão, mas 13 anos mais tarde  os revolucionarias franceses  desenterraram o seu corpo e colocaram-no num mausoléu no  Panteão Nacional em Paris.

Ainda hoje muitas das frases pronunciadas por  Voltaire têm uma força muito grande, política e socialmente.  Ele foi um defensor acérrimo da liberdade da palavra e da escrita. Fez esta afirmação: “Eu não concordo com o que  você diz, mas defendo,  mesmo até à morte,  o seu direito de se exprimir!”

Outra verdade que Voltaire defendeu com muita  veemência foi a liberdade religiosa. Por estranho que pareça, Voltaire acreditava em Deus. O que ele não tolerava  era os  dogmas  e o fanatismo.  Voltaire não acreditava no “divino poder dos reis”. Nem acreditava na “superioridade hereditária dos lordes”.

Voltaire acreditava que para a Humanidade era mais importante o desenvolvimento cultural e económico do que o  político. Acreditava que era mais importante o desenvolvimento da ciência e das artes do  que o papel dos reis e das suas guerras... 

Se Voltaire votasse cá hoje?

Se Voltaire voltasse hoje  entre os vivos iria verificar que a sua frase arrepiante:  “Não foi Deus que criou o Homem, foi o Homem que inventou Deus!”, tem muito de verdadeiro.

Não contando com a deusalhada dos  gregos e do romanos, ou  dos egípcios, ainda hoje a Humanidade tem um sem número de deuses. E todos andam   numa luta, sem tréguas, numa  guerra terrível que chamam “guerra santa”!   Todos querem dominar uns aos  outros  não só aqui na terra, como no céu!...

Os judeus não gostam de Jesus Cristo, porque ele  também era judeu, e traiu  a religião monoteística  judaica, dividindo  o deus único em três:  Pai, Filho e Espírito Santo.

Além disso Jesus não cumpriu as profecias relativas  ao Messias que vêm descritas na Bíblia.  Mas  a própria  palavra Cristo quer dizer Messias.   Mas a Bíblia é um livro escrito por homens, não foi escrito por Deus!...

Os muçulmanos  têm outro deus diferente, monoteístico também, mas só houve uma  pessoa que falou com esse deus. O deus dos muçulmanos chama-se  Alá,   mas  só o   Profeta Maomé  é que falou com ele e por isso escreveu o livro sagrado  do Islão, chamado Corão.

Curioso que no Médio Oriente, um dos sítios mais pobres da terra,  foi donde despertaram as três religiões:  Judaismo, Cristianismo e  Islamismo que andam sempre em guerra e se odeiam umas às outras! 

Quantas guerras em nome da religião, quantas mortes, quanto sangue derramado, através dos séculos  e parece que a humanidade não  consegue  maneira  nenhuma de aprender a travar tal estupidez e  tamanha desgraça!  Tudo por causa  do fanatismo.   Presentemente é por causa do islamismo!   

As Duas Vacas

Tudo isto me faz lembrar a história das duas vacas que sofriam da “Doença do Ismo”. 

“Ismo” é  um “vírus”  terrível que  afecta muitos  milhões de pessoas  causando os mais variados sintomas,  resultando sempre em desastres muito dramáticos  e verdadeiras catástrofes.

É esta  “Doença  Maligna do Ismo” que nos  vai ajudar a compreender claramente  os movimentos políticos e religiosos que têm  sido verdadeiramente desastrosos para a humanidade. Aqui está a análise como as duas vacas nos vão ajudar a interpretar  os vários significados dos  “ismos”:

SOCIALISMO:  Você possui duas vacas. Dê uma vaca ao seu vizinho.

COMUNISMO: Você possui duas vacas.  Dê as duas vacas ao governo e o governo talvez lhe dê algum do seu leite.

FASCISMO: Você possui duas vacas.  Você  dá o leite todo ao governo  e o governo vende-o

NAZISMO: Você possui duas vacas. O governo mata-o e depois toma conta das vacas.

ANARQUISMO: Você possui duas vacas. Guarde as duas vacas. Mate o governo e roube outra vaca.

ISLAMISMO: Você possui duas vacas. Mate as duas vacas e depois suicide-se.

                          Exemplo flagrante: a destruição das Torres Gémeas  em Nova Iorque.

 

A verdadeira definição de religião

Curioso que todos os fundadores das várias religiões:  Cristianismo, Islamismo, Budismo, Judaísmo, etc. têm como denominador comum fazer bem aos seus semelhantes, praticar actos  de caridade, proteger os necessitados, etc.

Quem tem estragado as várias religiões têm sido aqueles indivíduos que se cobrem com o manto dessa mesma religião e sem escrúpulos,  passam a  explorar os outros seres humanos, a roubar, a  destruir e a matar.

Todo  o ser humano tem que ter uma fé,  tem que ter  uma religião, para acentar  em infra-estruturas morais, baseadas nos  Dez Mandamentos, para ter tranquilidade mental e  para ter entusiasmo íntimo para poder suportar e proteger a sua família  e relacionar bem com  os seus amigos, com a  sociedade e ser útil à Nação, para poder viver em paz e alegria.

Mas todo o ser humano também deve ser tolerante para permitir  aos outros o direito de escolher o  Deus da sua preferência.  Penso que no fundo esta  definição devia ser  a filosofia religiosa de  Voltaire.  

Qual é a sua?

Dezembro 28, 2001

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